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IGREJA E GOVERNO
 

ANTÓNIO MIGUEL ARAÚJO GONÇALVES MONTEIRO
Kerkstraat, 16,
4285 BB Woudrichem,
Nederland

 

Ao
Ministro dos Assuntos Internos

Postbus 20011
2500 EA Den Haag
Nederland

Woudrichem, 12 de Abril de 2005
Ref: JT/CC/JUR00502005
V/Processo nº 04012149
Transactie Nummer: 732899119

C/C para Centraal Justitiee en Incasso Bureau

CARTA REGISTADA COM AVISO DE RECEPÇÃO

Assunto:
1. Abuso de poder, violência, perseguição religiosa
2. Coacção psicológica para obrigar a assinar um documento, sem entender o que estava escrito


Excelentíssimos Senhores,

Eu, António Miguel Araújo Gonçalves Monteiro, venho pela presente informar V.Ex.as que estive ausente da Holanda, em trabalho missionário na nossa sede de Portugal e ao chegar a minha casa no passado dia 3 de Abril de 2005, verifiquei que recebi a nota de liquidação identificada em epígrafe, cuja cópia junto em anexo.

Todavia, como não entendo o holandês, tive de mandar traduzir a carta que recepcionei, facto que demorou mais 3 dias para dar resposta. Mas apresso-me a escrever a V.Ex.as, na certeza de que obterei o seu bom parecer.

Relato da ocorrência:

No passado dia 22 de Setembro de 2004, aproximadamente pela 1 hora da noite, eu vinha acompanhado pela minha família (esposa Cristina 32 anos e filhas; Nicole de 2 e a Macy de 4 anos) na localidade de Sleeuwjik. Uma viatura da policia, dirigia-se em direcção contrária e ao passarem pelo meu carro, reparando tratar-se de uma matricula estrangeira, inverteram a marcha, perseguiram-me e mandaram-me parar.

De imediato obedeci e parei a viatura.

Os dois policias identificados por M.R.Westhof e J.v.Dalen do Team Werkendam (segundo um cartão que me deram) falaram qualquer coisa, no entanto como não conheço a língua, por intuição mostrei os documentos do carro. Não mostrei os meus documentos pessoais pois não os trazia comigo no momento.

Os dois policias deslocaram-se ao carro da policia e foram verificar algo no computador de controle, enquanto fiquei à espera.

Depois, ambos os policias dirigiram-me de novo a palavra mas como não entendi o que pretendiam tentei transmitir-lhe que era da Igreja Maná e que morava ali perto, mencionando a minha morada.

Falaram mais qualquer coisa, mas que obviamente não entendi, entretanto inesperado e surpreendentemente um dos policias abriu a porta, meteu a mão dentro do carro, desligando-o e arrancou a chave da ignição de seguida, e à força arrancou-me para fora do meu carro, de tal modo violento que me rasgou a camisa, deitou-me no chão, enquanto um dos policias me pisava o outro colocava-me algemas.

Tudo isto repentinamente, e à força sem ninguém entender porque o faziam. E ainda por cima em frente da minha esposa e das minhas filhas e 2 e 4 anos.

De seguida, arrastaram-me para o carro da policia e transportaram-me para a esquadra de Woudrichem, como se se tratasse de um criminoso, abandonando a minha esposa e filhas em plena madrugada na estrada.

Depois a minha esposa ainda que em pânico, mas de livre vontade, conduziu o meu carro atrás do carro em que eu seguia até à esquadra, entretanto ela foi a casa buscar os meus documentos e novamente voltou a entregá-los na esquadra.

Na esquadra, o chefe da policia coagiu-me a assinar um documento, cujo conteúdo não entendi pois não estava escrito em Português e não havia ninguém para o traduzir.

Obvio que mediante a forte opressão e modo violento como me trataram, não tive alternativa se não assinar o documento apesar de desconhecer em absoluto a que se referia.

Mais tarde, acabaram por me libertar e voltei para casa a pé.

Ao chegar a casa encontrei a minha família ainda em pânico, as crianças a chorarem e a gritarem por mim.
Elas ficaram traumatizadas com tudo o que tinham assistido.
Só já perto do amanhecer é que conseguimos que as crianças acalmassem um pouco.

Após essa noite traumática, ainda hoje é muito difícil conseguir que as crianças adormeçam. E durante a noite acordam várias vezes sobressaltadas a chorar e a gritar pois ainda recordam esses acontecimentos.

Agora quando vêem um polícia ou um carro de polícia, logo recordam essa noite e passaram a ter medo dos polícias.

Entretanto paguei uma multa de 40€ (quarenta Euros) por não ter nesse momento os meus documentos pessoais.

Já havia perdoado tudo no meu coração, até porque sou um homem de Deus, e julgava o assunto encerrado. Todavia quando cheguei no dia 3 de Abril de Portugal, deparei-me com a já referida nota de liquidação, no valor de 220€ (duzentos e vinte Euros), concernente a resistência à Policia, segundo me explicou o tradutor.

Escusado será dizer que, fiquei perplexo com o que o tradutor me lia da nota de liquidação, pois tenho absoluta consciência que em nada resisti à policia, antes pelo contrário, tanto eu como a minha esposa colaboramos com tudo, mesmo sob os modos violentos como fomos tratados.

Assim, solicito a V.Ex.as que revejam este assunto, pois não está em causa o pagamento dos 220€ (duzentos e vinte Euros) porquanto é apenas dinheiro, mas sim a justiça do assunto.

No entanto, não tenho medo de comparecer diante de um juiz, pois não acredito que nenhum juiz me roubasse a razão. Mas estou certo que, V. Ex.as conseguirão levar os dois policias supra identificados à razão, de forma a não me tornarem a perseguir.

Sem outro assunto de momento e certo de que procederá em harmonia com o solicitado, subscrevo-me

Atenciosamente,

António Miguel Araújo Gonçalves Monteiro

Anexos:
1. Nota de liquidação


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Igreja Maná Actualizado 12.05.2005